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Campanha
de Advocacia Para o Acesso ao Tratamento: AGORA

Analise situacional
Moçambique está a enfrentar a maior epidemia do
SIDA devido os altos níveis de prevalência aliada
aos factores estruturais tais como a pobreza, desigualdades de
género, condições culturais e altos
níveis de mobilidade laboral. Com uma percentagem de
prevalência estimada em 16.2% em 2004, com 1.5
milhões de pessoas infectadas na
população adulta dos 15 aos 49 anos,
Moçambique é um dos mais afectados
países do mundo. Estima-se que 500 novas
infecções diariamente e que 60% da
população infectada são as mulheres.
Existem profundas diferenças regionais onde se estima que o
Centro com 20.4% tenha a prevalência mais alta, seguida do
Sul com 18.1%, e o Norte com 9.3%.
A alta prevalência na região Centro se deve a
vários factores, incluindo o retorno de 2 milhões
de refugiados dos países vizinhos, depois dos acordos de paz
de 1992, que têm altas taxas de prevalência. A
mobilidade das populações ao longo dos corredores
comerciais que ligam Moçambique, através do porto
da Beira ao Zimbabué e ao Malawi também contribui
para as altas prevalências. Na região Sul, as
taxais de prevalência mais altas estão na
província de Maputo (20.7%) e Maputo Cidade (20.7%), que
contribui com cerca de 75% dos mais de 100 mil mineiros que trabalham
na África do Sul.
Moçambique não tem uma politica oficial de
testagem. A testagem é normalmente feita nos GATVs e
é voluntária, onde a abordagem
obrigatória é nos programas de mãe
para filho e nos pacientes internados. Existe um forte cometimento de
aumentar o tratamento antiretroviral, onde o Plano Nacional de Combate
ao HIV/SIDA, estima em alcançar 132 000 PVCH em 2008.
O MISAU não tem critérios claros de tratamento
embora estes existam recomendados pela OMS.
As linhas gerais da terapia antiretroviral estão a ser
revistos para incorporar os standards internacionais. Todavia, aspinha
dorsal do regime de tratamento continuam a ser lamivudini +
stavudini+ nevirapine, produzidos a um custo de
$140/Pessoa/ano.
No geral a resposta para o HIV/SIDA do sector da saúde
é muito limitada quer seja programática ou
geograficamente. A maioria dos recursos investido no tratamento
estão centrados na província do Maputo, e as
actividades restringidas a vigilância
epidemiológica, certas campanhas preventivas (tais como
promoção do preservativo) e o tratamento de
doenças oportunísticas. O sistema nacional de
saúde está constrangido por falta de recursos.
O maior constrangimento é a falta de quadros e outros
investimentos na infrastrutura do sector de saúde para
alargar a resposta ao SIDA e facilitar ao acesso as áreas
rurais. A importação e gestão de
medicamentos é muito complexa, e muitas PVHS receiam que
haja quebra no seu fornecimento. As politicas e estratégias
que lidem com questões como os cuidados e
protecção dos órfãos e
outras crianças afectadas pelo HIV/SIDA, advocacia contra o
estigma e discriminação e de grupos
vulneráveis. Também há uma necessidade
de maior coordenação e envolvimento entre o CNCS,
MISAU, as ONGs e PVHS.

Situação de HIV/SIDA:
perspectiva do MATRAM
Segundo as estimativas do INE, há 1.5
milhões de pessoas vivendo com HIV/SIDA em
Moçambique, dos quais 60% são mulheres.
Adicionado a isto, está o facto de que a maioria destas
infecções acontecem aos jovens dos 15 aos 24 anos
onde também as mulheres ultrapassam os rapazes da mesma
idade numa proporção de 1 para 4. Muitas PVHS em
Moçambique não sabem que são HIV+. A
isto se deve ao facto de que indisponibilidade de facilidades de
aconselhamento e testagem principalmente nas zonas rurais. Entre
aqueles que definitivamente sabem o seu estado serológico,
este conhecimento é muitas vezes adquirido devido a
rápida deterioração da sua
saúde o que leva que o pessoal médico a accionar
os procedimentos de investigação da suspeita.
Doutro modo tal conhecimento é adquirido via testes de
HIV/SIDA para estudar, emprego ou via os poucos GATVs existentes no
pais. Vinte anos após o surgimento da epidemia em
Moçambique, as PVHS continuam a merecer o menor apoio
possível quando se lida com a magnitude dos problemas de
saúde, sociais, psicológicos, legais e
económicos.
Na área da saúde, muitos problemas
específicos que as PVHS enfrentam em Moçambique
são:
Falta de acesso a medicação, ambas originadas
pela falta de disponibilidade do tratamento médico na
sociedade mas também devido ao custo ainda proibitivo quando
é disponível. Especificamente, porque muitos dos
medicamentos da lista essenciais, muitos dos quais foram elaboradas
antes do advento da epidemia do HIV/SIDA, não incluem
medicamentos relacionados ao HIV/SIDA e nem sempre foi feita a sua
inclusão ou compra. Os benefícios do tratamento
antiretroviral, visto como o maior avanço no tratamento do
HIV/SIDA, tragicamente continua inacessível a muitas PVHS em
Moçambique. Ainda assim isto se deve os altos custos destes
medicamentos assim como os custos laboratoriais muito caros
necessários para o uso desta nova terapia. A
esperança originada pelo advento dos antiretrovirais foi
substituída pelo desespero e desencorajamento, que anula
todos os ganhos psicológicos feitos pelas PVHS na tentativa
de reconstruir as suas vidas e planos futuros para eles e suas
famílias.
O aconselhamento que aborda as necessidades individuais como parte
integral das famílias e das comunidades procurando resolver
as questões e tomando decisões que são
altamente complexas e cheias de emoção
é muitas vezes inadequado. A formação
dada a vasta maioria dos conselheiros não equipa estes para
lidar com os problemas correntes e as necessidades envolventes das
pessoas e famílias no que diz respeito ao impacto do
HIV/SIDA nas suas vidas.
Devido ao medo do estigma e discriminação que
rodeia o HIV/SIDA, muitas PVHS, muitas vezes não confiam nos
membros imediatos das suas famílias acerca do seu estado de
seropositividade. Deitando assim por terra as poucas oportunidades para
se discutir os riscos associados a certas opções
de vida, tais como a gravidez. Dai, que há muito pouco
recurso para estes indivíduos, especialmente PVHS, quando
enfrentam grandes pressões para casar e ter filhos, em
conformidade com normas sociais, valores e
tradições.
Ainda há muita desinformação nas
questões de mudança de comportamento e na
manutenção do estilo de vida saudável.
O discursos nas questões de mudança de
comportamento são apresentadas endurecidas quando
estão ligados somente a PVHS, e de facto ignorando a
saúde e estilo de vida balanceado daqueles que
são seronegativos.
A distribuição dos testes de HIV/SIDA
não é equitativa e as áreas urbanas
são mais favorecidas que as rurais. A
formação do pessoal médico para
providenciarem apoios e cuidados competentes as PVHS deve ser
reforçado. Tal treinamento é
necessário se quiser alcançar o uso das unidades
sanitárias e os cuidados domiciliários de forma
mais eficiente e complementar para satisfazer as necessidades
médicas e psicossociais das PVHS e suas famílias.
No contexto social, as PVHS continuam a enfrentar muitos desafios; a
estigmatização aumenta originada externamente
dentro das sociedades e, mas também dentro das pessoas
individualmente que experimentam a culpabilização
e perca da auto-estima e auto valorização quando
confrontados com a realidade pessoal e individual do HIV.
A discriminação esta espalhada e ocorre em cada
sector da sociedade – dentro do sector da
educação, no local de trabalho causados pelos
testes obrigatórios que resultam em despedimentos, no
mercado através da ostracização do
vendedor identificado assim como dentro das famílias. As
PVHS, especialmente as mulheres, são muitas vezes vistas
como culpadas e responsáveis de espalhar a epidemia e como
tal são vigiados e muitas vezes violados as suas
privacidades.
O mais difícil, é o aspecto desmoralizador e
desumanizando de aprender a viver com HIV/SIDA é o potencial
de ser rejeitado dentro da própria família. A
família nas tradições africanas como a
de Moçambique, é muito mais que uma parte
integral da mulher assim como a mulher é para a
família. É a família que dá
a mulher a sua posição e identidade na sociedade.
Assim qualquer ameaça a estes laços
intrínsecos pode ser devastador e de consequências
imprevisíveis. O medo, a ignorância e a falta de
um dialogo aberto acerca do HIV/SIDA e a forma como envolver toda a
comunidade (incluindo famílias e comunidades) na pesquisa de
soluções tem colocado fortes pressões
nos laços familiares. Dentro deste ambiente hostil, a
discriminação baseada no género
é mais acentuada, com a mulher infectada e afectada a
carregar o fardo da rejeição de maneira
desproporcional em relação aos seus contrapartes
homens.
Como resultado das possibilidades de rejeição
dentro da família, a decisão de revelar ou
não o estatuto publicamente torna-se crucial. MATRAM
está convencido que a longo prazo os benefícios
ganhos de uma decisão de se discutir abertamente o estado de
HIV ultrapassam as possíveis dificuldades. Infelizmente,
muitas pessoas confrontados com estado de seropositividade
não recorrem aqueles que lhes são
próximos logo de primeira. Todavia, a necessidade de apoio
é um requisito fundamental do ser humano e este
só pode ser conseguido através da
família e pessoas mais chegadas. Como dizem muitas membros
do MATRAM para as suas famílias e comunidades é
que (podemos viver com HIV/SIDA o que não conseguem
é viver com o carinho e amor da família). Elas
querem que quando revelam o seu estado de seropositividade as suas
famílias e as comunidades essa
informação seja bem compreendida e que
não sejam olhadas com pena, mas com
apoio e empoderamento que são os conhecimentos e capacidades
cruciais que determinam a qualidade e tipo de apoio que uma PVHS recebe
da família e amigos. Só quando os membros do
MATRAM alcançarem isto, eles podem jogar um papel importante
na criação de uma resposta comunitária
efectiva.
Economicamente, os desafios enfrentados pela PVHS são
também incríveis; o grande desafio enfrentado
pelas PVHS é de satisfazer as suas necessidades financeiras
e das suas famílias que sejam imediatas ou a longo prazo. Se
bem que as oportunidades de desenvolvimento e empoderamento
são limitadas para qualquer mulher africana, estas
são ainda muito mais limitadas para as PVHS. Aquelas PVHS
cujo o estado de seropositividade é conhecido pelos seus
empregadores são sumariamente despedidas e se não
o forem, porque a lei proíba, as oportunidades de
promoção são terminadas. O sentimento
largamente prevalecente em muitos sectores da sociedade é
que a PVHS é um mau investimento.
Os programas de ajustamento estrutural propagado pelo Banco Mundial e
FMI adoptado pelo governo de Moçambique criou já
severas dificuldades económicas a muitas pessoas e um estado
de recursos mais limitado na educação,
formação profissional, saúde, abrigo e
outros sectores sociais que são fundamentais para qualquer
melhoria de vida de qualquer individuo.
Resposta do MATRAM
A complexidade do impacto do HIV/SIDA nas PVHS, famílias e
comunidades em Moçambique ainda tem de ser claramente
articulados agora 20 anos depois que a epidemia foi reconhecida. A
nível individual, muitas carreiras foram brutalmente
terminadas, aspirações e sonhos de um futuro
estrangulados aquando do diagnóstico do HIV. Muitas PVHS que
foram diagnósticas nos últimos 10 anos foram
vaticinadas alguns anos de vida que já passaram e as elas
continuam vivas com a sua seropositividade. Muitas vidas foram deitadas
aos caos, confusão e desespero com muitas a terem que
batalhar para se adaptarem as implicações desta
nova realidade e depois com a missão impossível
de contar este desastre as suas famílias e seus ente
queridos. Quem esteve no momento em que essas PVHS precisaram de um
ombro amigo e apoio? Como é que pensa que essas PVHS
sobreviveram a morte dos maridos, esposas, filhos, irmãos e
até pais? Como é que elas comunicaram as pessoas
mais chagadas de que estavam infectadas por um vírus que
não tem cura e que virtualmente condena a qualquer um a uma
morte imediata? O quê que cada uma esperava deste
fenómeno de si mesmo e da família?
Será que algum membro da família destas pessoas
– marido, mulher, filho, pais, irmãos, tios no
risco de contraírem este vírus através
do contacto com essas pessoas? Como é que estas pessoas
lidaram com atitudes de julgamento e condenação
que estas pessoas passaram das famílias e dos amigos? Mas,
talvez o mais importante, como é que cada uma explica que
por debaixo do trauma, de um montão de perguntas
não respondidas ou mal feitas, o núcleo da
humanidade destes PVHS permaneceu intocável e
imutável demonstrada pelo amor e carinho destas pessoas e,
de ser considerada como membros válidos da
família, do circulo de amigos e da comunidade.
A atmosfera que rodeia o discurso do HIV/SIDA também
não ajuda. Em Moçambique esta atmosfera esta
rodeada de uma linguagem altamente emotiva e inflamatória e,
em muitos casos, a desinformação acerca das
possíveis anormalidades da vida para além do
diagnóstico positivo. Isto cria níveis muito
altos de medo e desconfiança entre a
população. Consequentemente, um debate aberto,
honesto e racional na sociedade acerca da
protecção e apoio de todos os seus membros
(aqueles que são HIV+ e negativos) é quase
impossível. De facto, a sociedade quase abdicou a sua
responsabilidade para justificar a sua reclamação
dos direitos humanos mais fundamentais como é o caso do
direito de viver a vida livre da descriminação
onde a humanidade é respeitada, permitindo assim, de
beneficiar por completo as oportunidades, responsabilidades e
responsabilidades da cidadania.
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